Os jogadores do Cruzeiro esbanjam talento e eficiência nos gramados e provaram desde as primeiras rodadas porque mereciam o título do Campeonato Brasileiro. Mas fora das quatro linhas, quem domina são as mulheres. As esposas campeãs formaram o ‘Clube da Luluzinha’ no Cruzeiro com direito a grupo no WhatsApp, orações e camarotes.

E elas provaram que são ‘pé quente’. Em menos de dois anos, o time conquistou o bicampeonato brasileiro, o Campeonato Mineiro e está na final da Copa do Brasil. Méritos deles e delas também que se uniram no meio do ano passado para fazer um grupo de oração para os maridos e daí surgiu um laço forte de amizade.

Sandra Maciel, mulher do goleiro Fábio, teve a ideia de montar o grupo “Intercedendo por Eles” junto com as esposas em um momento difícil do time, logo depois de ter sido eliminado na Copa do Brasil para o Flamengo com um gol no fim do jogo. “Aquele momento nos doeu muito e eu pensei que nós deveríamos fazer algo”, conta.

Em reuniões semanais, elas rezam para que Deus olhe pelos maridos, abençoe as viagens e os estádios onde eles vão jogar, cure lesões e dê forças para conquistar as vitórias.

Como a maioria das mulheres vive longe de seus parentes para acompanhar o marido pelos campos dos mundo, as amigas acabam se tornando uma família. Elas dividem alegrias, tristezas e problemas. Conversam sobre tudo. Dos médicos das crianças ao assédio feminino em cima dos maridos.

“Sempre que uma precisa de ajuda as outras estão todas lá. Desde indicação de médico, funcionário, fazer mercado, tudo”, conta Sandra Maciel. “Outra dia, a esposa de um jogador estava com dificuldades com o bebê. Na hora, apareceram várias pessoas para ajudar. É muito bonito”, conta Camila Campos, mulher do zagueiro Leo.

Para facilitar a comunicação com tanta gente, elas têm um grupo no Whatsaap em que participam cerca de 30 esposas dos atletas celestes. Pelo aplicativo, elas fazem corrente de oração durante os jogos, organizam eventos, combinam festas e até ‘mandam nos maridos’.

“Como eles têm que ficar muito focados no futebol e viajam muito, a gente que comanda tudo. Nós que combinamos a festinhas, que costumam ser em dias de semana. Eles só ficam sabendo depois e vão junto”, brinca Juliana, noiva do atacante Neílton.

Foi delas, inclusive, a ideia de um fazer um bandeirão de 100m x 30m com os dizeres “A Deus toda a glória”, que ocupou boa parte do estádio no duelo contra o Goiás que valeu o bicampeonato brasileiro. Sandra conta que teve a visão do bandeirão em um dos encontros do grupo e contou ao marido. Fábio levou o desejo da mulher adiante para os colegas de grupo.

Todos os jogadores gostaram da ideia e dividiram os custos de R$ 15 mil. Ainda contaram com a ajuda da torcida organizada Máfia Azul para confeccionar o artefato e transportá-lo para o estádio, além de erguê-lo antes e durante o jogo.

E é no Mineirão que elas dão provas de que é o pedaço delas. No último domingo, chamaram a atenção por estarem todas uniformizadas com camisas com dizeres cristãos: “A Deus toda a glória”, “Deus é bom o tempo todo” e “O tempo todo Deus é bom”.

Juntas, assistiram aos jogos nos dois camarotes que elas mesmas fecharam pelo ano inteiro para verem os maridos de perto e, ao final da partida, nem se importaram com a chuva. Mesmo de salto alto e maquiadas encararam a água para dar um beijo no amado e levantar o troféu. Merecido, não?

Mas, para quem pensa que vida de esposa de jogador é fácil, elas garantem que não. Administram a casa, cuidam dos filhos e dão todo o apoio ao marido. “As pessoas acham que a gente vive em shopping gastando dinheiro, mas a gente trabalha muito. Não é fácil administrar tudo sozinha”, conta Sandra que tem dois filhos com Fábio.

Fonte: UOL